Cartilha católica prega política do bem comum
A Igreja Católica vai participar ativamente das eleições municipais deste ano. Mas, diferentemente de algumas igrejas evangélicas, que possuem até uma bancada fiel no Congresso Nacional com 84 deputados e 7 senadores, não tem por objetivo eleger o máximo possível de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que professam a fé católica.
"A Igreja não está preocupada em fazer uma bancada católica e sim em levar os candidatos, e posteriormente aos eleitos, a compreenderem a importância de cumprirem bem o papel. O que desejamos é que as pessoas eleitas sejam preocupadas com o bem comum e também com a dignidade humana", explicou nesta quarta-feira (12) o arcebispo de Cascavel, Dom Mauro Aparecido dos Santos, ao apresentar a Cartilha de Orientação Política a ser distribuída aos fiéis.
Intitulada "Os cristãos e as eleições - A boa política está a serviço da vida e da paz", a cartilha foi elaborada por uma equipe especializada no assunto, obedece rigorosamente a legislação eleitoral vigente e contém uma linguagem de fácil compreensão com indicações básicas sobre o universo da política, a partir do olhar do segmento católico, que não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político.
Ao justificar a iniciativa, Dom Mauro invocou uma fala do Papa Francisco ainda de 2014. "Peço a todos que tenham responsabilidade política, que não se esqueçam de duas coisas: a dignidade humana e o bem comum. A política é uma das maiores formas de caridade, e não se pode lavar as mãos e todos devem fazer alguma coisa. Como cristão, tem o dever de auxiliar o governante a acertar", disse o Sumo Pontífice na ocasião.
Defendendo a tese de que "em primeiro lugar deve existir o respeito, independente de direita ou esquerda", o arcebispo de Cascavel arrematou garantindo que a Igreja Católica não lançará padres candidatos, nem apoiará abertamente nomes de sua estrita confiança.