Retomar pauta das reformas requer união e muito trabalho
Apesar do momento dramático que o Brasil vive, nem tudo está perdido nas tentativas de recolocar o País nos trilhos da recuperação econômica e do desenvolvimento. Apesar de difícil e pouco provável, é possível retomar a agenda das reformas no segundo semestre, mas para isso o governo e o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, precisarão ter muita força de articulação, muita disposição e paciência. É o que disse o analista político da XP Investimentos, Paulo Gama, sábado durante live que substituiu a reunião presencial da Caciopar em Santa Helena.
A transmissão foi mediada pelo presidente da Coordenadoria, Alci Rotta Júnior, e teve participação do consultor local da XP Ronan Medina. Com o tema "Os bastidores de Brasília, como fica a governabilidade?", o encontro se estendeu por uma hora e esclareceu vários pontos considerados determinantes do atual xadrez político brasileiro. A retomada das reformas é o caminho mais curto para tirar o Brasil de uma crise que tem tudo para ser a mais profunda de sua história. "É difícil, mas possível. Tudo depende da força de articulação e de trabalho do governo e da vontade do Congresso", disse Gama.
Há pelo menos um ponto que pode contribuir nessa direção, que é a atual aproximação do governo com o Congresso, por meio da abertura de diálogo com partidos do Centrão. "Embora volátil, esse apoio pode ajudar em algumas coisas boas. A retomada do diálogo em si já é algo positivo", segundo o consultor da XP. A urgência agora para o governo é colocar dinheiro na economia para, além de permitir que ela gire minimamente, garantir que estados e municípios não quebrem por completo.
É fundamental também tomar conta do orçamento, já que o déficit previsto para este ano é de R$ 620 bilhões. O endividamento do País saltará de 70% para 95% do PIB, e um dia essa amarga conta será cobrada, conforme Gama. No início deste ano, a XP trabalhava com projeção de crescimento da economia em 2%, agora, com os efeitos da pandemia do coronavírus, o recuo deverá chegar a 6% do Produto Interno Bruto. Com as reformas administrativa, fiscal e política, há anos cobradas por entidades como a Caciopar, haveria arrefecimento das dificuldades e mais cedo o País poderia encontrar os trilhos da retomada econômica.
Quando a conta chegar, alertou Renan Medina, existirão apenas dois caminhos possíveis de escolha: elevar impostos ou cortar gastos públicos. "Por isso, as reformas tão cobradas e aguardadas são tão importantes e devem permear o arsenal de debates do governo federal no segundo semestre", conforme Paulo Gama. E quanto a investimentos, Ronan seguiu dizendo que em momentos como esse a melhor escolha é a diversidade, porque a queda de um acaba compensada pelo ganho de outro.
RELAÇÃO ENTRE OS PODERES
A live focou também em questões políticas que fragilizam as relações entre os três poderes. Um dos assuntos abordados foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes de vetar a indicação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal. "Isso levou a uma decisão importante, de que questões de tanto peso não mais serão decididas monocraticamente e sim apenas pelo plenário do STF", ressaltou Paulo Gama.
E quanto à postura de Celso de Melo, de comunicar sobre a abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro, teria sido apenas uma forma de pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de dar encaminhamento às 30 solicitações parecidas que têm sobre a sua mesa. Gama, que cobriu a área política para grandes jornais e tem anos de experiência nos bastidores de Brasília, disse que não há clima para o impedimento de Bolsonaro, e a elevada popularidade que ele tem e a ausência de protestos contínuos e contundentes nas ruas preservam o mandato presidencial.
Sobre a prorrogação das eleições municipais, o cenário que ganha força é o da postergação sem o aumento do tempo de mandato dos atuais eleitos. A próxima reunião empresarial da Caciopar está agendada para o dia 27 de junho. Da mesma forma que as duas anteriores, ela também será por meio de transmissão ao vivo. O assunto da vez será o agronegócio, com análises do diretor executivo da Frimesa e vice-presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento, Elias Zydek, e do superintendente da Cotriguaçu, Gilson Anizelli. (Foto: Divulgação)