Ministério da Saúde pode ter que anular compra bilionária
O TCU (Tribunal de Conta da União) vem de levantar a primeira suspeita concreta de um caso de corrupção em quase um ano e meio do governo chefiado por Jair Bolsonaro, mas que não atinge a imagem do presidente e sim de auxiliares. O ministro Benjamin Zumler deu prazo de cinco dias para que os técnicos do Ministério da Saúde apresentem as devidas explicações sobre uma compra de praticamente R$ 1 bilhão em aventais, sob pena de determinar a imediata suspensão do negócio.
Zumler mal bateu os olhos na documentação e já se deparou com algo muito estranho: o fato de o negócio, envolvendo 80 milhões de peças a um custo de R$ 912 milhões, ter sido fechado sem licitação (ou seja, sem uma cotação de mercado em busca de menor preço) e com uma empresa do tipo EIRELI, a Inca Tecnologia e Serviços, pertencente a um único proprietário e que, por lei, não poderá ter o seu patrimônio pessoal afetado por eventuais dívidas de seu negócio.
O ministro do TCU suspeita que a compra possa ter sido "superdimensionada e antieconômica"e quer saber por que, em uma encomenda de volume tão expressivo, os técnicos do Ministério da Saúde não especificaram dimensões e nem o destino dos aventais.
A unidade foi negociada a R$ 11,40, valor 19% acima do pago pela pasta no ano passado, e o extrato da compra foi publicado no Diário Oficial da União do último dia 27, quase duas semanas depois da substituição de Luiz Henrique Mandetta do comando do Ministério da Saúde.