Ex-moradora de Cascavel no ministério de Bolsonaro?
A única certeza que brota em meio ao festival de dúvidas oriundas da clara politização da pandemia do novo coronavírus no Brasil é de que, assim que possível, Jair Bolsonaro irá substituir Luiz Henrique Mandetta no comando do Ministério da Saúde.
Essa certeza advém de declarações recentes do próprio presidente, que desde o princípio tem manifestado total discordância da forma como seu auxiliar tem conduzido o enfrentamento à Covid-19, doença que antes do fim da semana já terá matado 2 mil brasileiros.
E dentre os nomes cotados para substituir Mandetta está o da médica e cientista Nise Hitomi Yamaguchi, que aparece nesta foto reproduzida de sua rede social (Youtube) e esteve com o presidente da República há uma semana para advogar o uso da hidroxicloroquina associada à azitromicina para tratar pacientes dessa doença que está atormentando o mundo inteiro.
Quem acompanha a política sabe que o nome da Dra. Nise para o ministério foi cogitado pelo próprio Bolsonaro, mas poucos sabem que ela tem sua origem muito ligada à cidade de Cascavel, onde viveu grande parte de sua infância.
?Fiquei entusiasmado ao ler a notícia de que ela pode virar ministra, pois fui vizinho da família dela por muitos anos. Eles moravam no início da Rua Minas Gerais, onde hoje tem uma churrascaria?, contou ao Alerta Paraná nesta quarta-feira (15) o professor aposentado Jaime Fabro, que lecionou na antiga Fecivel (hoje Unioeste) com Tizeko Yamaguchi, mãe da possível nova ministra.
?A conheci com uns 13 ou 14 anos. Era uma menina muito dedicada aos estudos?, acrescentou Fabro, assinalando que Nise foi aluna do Colégio Marista por vários anos e depois mudou para São Paulo para cursar Medicina.
A família veio de Maringá, onde Nise nasceu, e em Cascavel o pai comandou uma empresa de comercialização de grãos até seu falecimento prematuro, ocasionado por um acidente de trânsito nas proximidades do Country Club, no qual seu carro bateu em um caminhão da Prefeitura.
VASTO CURRÍCULO
Já sexagenária e especializada em oncologia e imunologia, Nise Hitomi Yamaguchi é um nome muito respeitado no Brasil e no exterior. Formada em Medicina pela USP, ela é diretora do Instituto Avanços em Medicina, localizado em São Paulo - onde o irmão Charles Yamaguchi, que também morou em Cascavel, é um conceituado cirurgião plástico - e também presta serviços de forma independente ao Hospital Albert Einstein.
Doutora em pneumologia e com atuação destacada na luta travada contra a Aids há algumas décadas, quando esta síndrome era sinônimo de morte certa, Nise possui em seu currículo participações em congressos médicos dos mais importantes realizados em várias partes do mundo, principalmente Brasil, EUA e países da Europa.
Carregando desde sempre a bandeira da medicina humanizada, ela não hesita em recomendar o uso de hidroxicloroquina e azitromicina em pacientes da Covid-19."São remédios relativamente bem tolerados pela maioria das pessoas?, afirmou ela ao defender, na medida da disponibilidade, até mesmo o uso preventivo desses medicamentos.
Depois de se reunir com Bolsonaro, Nise saiu de cena, mas a imprensa em geral a tem mantido em evidência por sua postura alinhada com a do presidente da República, que até determinou aos laboratórios das Forças Armadas que intensificassem a produção de hidroxicloroquina para que ela seja disponibilizada a pacientes do Brasil inteiro. (N.R.: também cooperaram para esta reportagem Sérgio Kasprzak e Beto Pompeu)