Delação premiada, um fracasso moral
J. J. Duran
A delação premiada é tão favorável ao delator quanto aos delatados e se converteu no Brasil, via o então juiz Sergio Moro, numa nova versão da chamada "Lei de Gérson".
De acordo com a opinião de alguns valiosos juristas, é instrumento essencial para uma investigação e, em determinadas circunstâncias, reforça valores como lealdade e solidariedade, princípios fortes da moral que na mente do denunciante têm força discriminatória sobre os denunciados.
Mas o latente perigo das delações premiadas se constitui na seletividade visível que os investigadores encontram e analisam dos envolvidos pelo denunciante.
No retumbante caso do 8 de janeiro que vem sendo coberto pelos meios de comunicação brasileiros ávidos por antever o fim da trama denunciada, é visível que o denunciante apresentou várias versões às autoridades competentes e sempre ocultou o grau de envolvimento dos generais da reserva supostamente envolvidos no fato, mencionando tangencialmente o ex-capitão como interessado no caso.
Como analista do fator, e fazendo uso do direito de livre opinião como simples jornalista, entendo que a denúncia tem sérias revelações de uma trama urdida para envolver uns e salvar outros.
Por meus antecedentes e pela história da indo-América que vivenciei nos anos de 1960, tenho convicção em dizer que sou um ferrenho defensor da liberdade em todas as variantes oferecidas pela democracia, e também de todo emblemático novo líder que pretende ser o reformador da República.
Dito isso, fico me perguntando: por que o denunciante se calou em muitos momentos de sua exposição quando o depoimento fazia menção ao general quatro estrelas com proeminente importância no gabinete do ex-presidente?
Não silencio minha voz jornalística quando pressinto a injustiça e não acredito que o líder dessa enlouquecida ação de um grupo de aloprados circulantes no mercado da podridão tenha sido o ex-presidente Jair Bolsonaro. O tempo se encarregará de dar a resposta definitiva sobre isso. (Foto: Lula Marques/AGBR)
J. J. Duran é jornalista, membro da Academia Cascavelense de Letras e Cidadão Honorário de Cascavel e do Paraná