"Escreveu não leu, o pau comeu"
Se você é daqueles que costumam usar as chamadas redes sociais para "desopilar o fígado" e botar pra fora tudo que está te fazendo mal, não dando a mínima para o mal que isso possa eventualmente fazer a terceiros, é bom começar a tomar cuidado, pois a cada dia que passa a Justiça está mais implacável contra pessoas com esse tipo de comportamento.
Uma prova bem recente disso é o caso do jovem vereador curitibano João Bettega, que vem de ser condenado não por elogiar a mãe de alguém, mas puramente por chamar um adolescente autista de comunista, termo que no debate político polarizado predominante no País atualmente está transformado em uma espécie de ofensa.
Criador de conteúdo político e membro do MBL (Movimento Brasil Livre), Bettega se deu mal ao postar no Youtube, TikTok e Instagram um vídeo intitulado "Comunista defende revolução no Brasil" e usar o jovem autista como personagem central, sendo condenado pelo juiz Alexandre Della Coletta Scholz a pagar uma indenização de R$ 14 mil e a excluir o conteúdo das redes.
"O requerido, ao gerir canal público em redes sociais diversas, tinha o dever de se assegurar, ao menos, acerca da capacidade civil do entrevistado, o que não ocorreu no caso descrito nestes autos, vindo a causar prejuízo inequívoco à imagem do adolescente e abalo à sua genitora, ao utilizar a imagem daquele em publicação com título inusitado", diz a sentença.
O vereador se defendeu por meio de nota na qual alegou desconhecer que o jovem entrevistado era autista e só tinha 17 anos à época, mas voltou a "pisar na bola" ao afirmar que recebeu com "muita estranheza o fato da mídia de esquerda ter acessado a decisão um dia após sua publicação", alegando se tratar de um processo que corria em segredo de Justiça. Mas se a decisão foi publicada, passou a ser público. Ou não?
Além disso, mídia que se preza não é de esquerda, nem de direita, apenas a favor do que é certo e contra o que é errado. Estamos entendidos? (Foto: Tânia Rêgo/AGBR)