Creche: será este o caminho?
Não é surpresa para ninguém que a maioria da classe política carrega teimosamente entre suas prioridades a construção de creches, já há um bom tempo rebatizadas de Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil), sob o argumento de que o poder público precisa criar condições para que as mães possam trabalhar fora e, assim, ajudar no sustento da casa.
Diante disso, não causou surpresa alguma a constatação de que em 2022, segundo dados do IBGE, o percentual de crianças até 3 anos que frequentavam a educação infantil já era de 33,9%, taxa três vezes maior do que a registrada pelo Censo 2000 (9,4%).
E apesar desse avanço significativo, o Brasil ainda está um tanto distante de cumprir ao pé da letra o Plano Nacional de Educação, que fixou como meta atender pelo menos metade desse público em creches e escolas até o fim deste ano de 2025.
De acordo com o mesmo balanço, apenas 646 dos 5.570 municípios brasileiros estão dentro da meta, a maioria deles localizada nas regiões Sudeste (41,5%) e Sul (41%), e atrasos gritantes ainda são registrados principalmente no Centro-Oeste (29%) e no Nordeste (28,7%).
Difícil acreditar que esse realmente seja o melhor caminho, não só pelo custo estratosférico como pela falta de eficiência demonstrada já que algumas poucas monitoras (via de regra ainda inexperientes para esse papel) não conseguem dar a devida atenção a um pequeno exército de crianças ao mesmo tempo.
Já que estamos na era das bolsas disso e daquilo, não seria mais barato e mais eficiente pagar um valor de até dois salários mínimos e obrigar as mães a ficarem em casa dando a atenção devida aos seus filhos até eles atingirem a idade de serem matriculados numa escola regular? Há de se refletir melhor sobre isso. (Foto: Arquivo AGBR)