Bolsonaro prega o entendimento
Errou quem apostou que o ato deste domingo (25), em São Paulo, seria utilizado por Jair Bolsonaro para incendiar ainda mais o País. Procurando passar à multidão que lotou seis quarteirões da Avenida Paulista uma serenidade nada peculiar nos discursos mais marcantes de sua carreira política, o ex-presidente afirmou entender ser o momento de desarmar os espíritos.
"O que busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado", declarou, convocando o Parlamento brasileiro a aprovar uma anistia "para os pobres coitados que estão presos em Brasília" por conta dos atos violentos do dia 8 de janeiro do ano passado. "Quem, por ventura, depredou, que pague. Mas essas penas [mais de 15 anos] fogem ao mínimo da razoabilidade", argumentou.
Dizendo-se vítima de perseguição política, mas sem fazer menção ao TSE e ao STF, Bolsonaro também negou as acusações de tentativa de golpe de Estado, lembrando que não houve sequer um tanque na rua.
A acidez do ato coube ao pastor Silas Malafaia, que apontou a existência de uma "engenharia do mal" para prender o ex-presidente e procurou atribuir a Lula a responsabilidade pelo quebra-quebra das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Também discursaram o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, a ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Em tempo: o ato na Paulista também contou com a participação de expressivo número de cascavelenses, dentre eles o prefeito Leonaldo Paranhos, que esteve bem próximo do palanque e fez questão de deixar sua presença registrada nas mídias sociais. (Foto: Reprodução)