Um ato desnecessário
Na iniciativa privada, o cidadão é obrigado a "matar um leão por dia" para fechar as contas no fim do mês e as comemorações, na maioria das vezes, se restringem a uma noite bem dormida com a consciência do dever cumprido, só isso. Já na vida pública, via de regra, tudo é motivo para comemoração, inclusive extemporânea - afinal, quem paga é sempre o povo.
Por exagerada que possa parecer para alguns, essa observação se encaixa perfeitamente ao que irá acontecer nesta sexta-feira (23), quando o presidente da Sanepar, Claudio Stabile, deixará seus afazeres em Curitiba e virá a Cascavel especialmente para, de acordo com a própria empresa, "fazer a entrega das obras de desassoreamento do Lago Municipal", reserva artificial criada há 40 anos pela gestão do então prefeito Fidelcino Tolentino e à qual ela (a Sanepar) recorre sempre que há crise hídrica na cidade.
Soa estranho realizar agora um ato para entregar um serviço concluído ainda em dezembro do ano passado e que nem foi a empresa que executou. Cada centavo investido nesse projeto foi bancado indiretamente pelos próprios moradores de Cascavel, que pagam preços aviltantes para ter acesso a um sistema de água e esgoto que costuma dar problema com preocupante frequência.
Vale lembrar, por fim, que o contrato da Sanepar com o Município acabou de ser prorrogado até 2048, e isso sim é motivo de comemoração, mas por parte dos acionistas da estatal. (Foto: Divulgação Sanepar)