Suprema incoerência
É de domínio público que combustíveis, comida e saúde, desde que bem administrados, são feito "galinhas dos ovos de ouro" do setor privado brasileiro. Por não ter como abdicar de nada disso, seja direta ou indiretamente, a população se obriga a pagar aquilo que dela é cobrado, sob pena de ficar a pé, passar fome e até morrer de subnutrição.
Não só por isso, mas também pelo fato de o próprio STF ter aprovado de forma unânime a elevação dos salários de seus ministros para R$ 46,3 mil mensais, é de causar perplexidade a qualquer pessoa de bom senso a decisão monocrática de Roberto Barroso, tomada em pleno domingo, suspendendo o piso de R$ 4.750 aos enfermeiros por dois meses ou até que a Corte decida a questão em plenário. A lei sobre o tema, aprovada pelo Congresso e sancionada há um mês pelo presidente da República, também fixa em 70% desse valor o piso dos técnicos de enfermagem e em 50% os de auxiliares e parteiras.
Ao acatar a alegação da Confederação Nacional do setor de que isso poderia causar uma quebradeira em série na rede privada de saúde, o ministro ignorou solenemente que o piso de um enfermeiro equivale a apenas 10% do que ele e seus colegas aprovaram para si próprios, passando a ideia de que dinheiro público, no Brasil, é tratado como capim de segunda linha.
"Um vexame e um retrato de como a classe mais privilegiada desse País trata os demais trabalhadores. Para eles tudo, para os outros nada", resumiu, com muita propriedade, o deputado paranaense Rubens Bueno. (Foto: Reprodução internet)